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Posts Tagged ‘poema dia’

poema em desalinho

ser de torcer o nariz
sem temer a sorte
e sua foice

ser acinte
ser açoite

ser um demônio
o anjo em si
sem temor ao fogo
e sua fonte

ser afronta
ser o front

ser a faca da palavra
fincada à fala flácida
sem render-se ao jugo
e a farsa da jogada

ser o saque
ser o sangue

[soco que lambe]

em suma ser
alguma teima
que não tema

ser poema

valéria tarelho

a Álvaro de Campos

*publ. no Poema Dia em 14.05.11

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porém já nascemos livres

1

na ânsia do en_
lace dá-se
alucinante lance

passos de dança
lasso-lancinante
compasso de espera

cadência que oscila
assanha a cena
amansa a estreia

[estranha
entrega/trégua]

soletra-se
com pressa & pausa
cada sílaba suada
da “sonolépida” cilada

[a corte
pega & paga :
seu preço seu press_
ágio]

premissas de pos_
se ágil

domínio
de iris em iris in_
domada

[olh]
ares de fera o_
dores de cio
anunciam
:
núpcias em um p_
iscar de cílios

pinta
um clima[x]
na [verde em folha]
relva

no virgem ringue
aflora

o rala e rola dos linces

2

nuca ao alcance
das presas prontas

unhas de pressa
pretas patas práticas

fome indócil
tatuando no dorso
o indício da posse

perceba [& print]
a seiva do poema
em plena selva

imite [& do it]
a pegada firme
das panteras

3

a língua domesticada
estirada lambe
[lava lava lava]

lânguida preguiça [áspera]
aplica a seco
um banho de ideias úmidas
ao longo do pelo

asseio que bisa bisa bisa
reprisa tédio
visa assédio

voyeuse do auto-zelo
a lua [em fase de vírgula]
vela o palco do luto enlace

à alta madrugada
um bando de gatos [à míngua]
são alvos

de gatas bandidas

valéria tarelho

**poemas da série “felinos”, publicados em primeira mão no Poema Dia, aos 14.05.09

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à luz de velas

a princípio
eram agudas
e abertas
minhas acentuadas
“idéias”

hoje a língua
(tua & minha)
não me dá
a mínima

participo
do conceito
[tísico]
de uma ideia oca
sem chance
de correr
o risco

aquela “idéia”
acesa na boca
tatuada no tímpano

é lâmpada
velha

N.A.: Confesso que ainda tropeço nas novas regras, que torço o nariz para elas, que considero uma mudança que não vai alterar em nada o quadro atual da escrita, que vai piorar a leitura (pausa para a gagueira na hora de decifrar um para, polo, pela…) que já anda mal das pernas.

Confesso que amava o “microondas” a ponto de não viver mais sem ele, adorava dar meus “vôos” solos, soltos [e de chapéu] e sentir a atração que os “pêlos” exerciam sobre mim (ai, aquele “ê” tinha um quê de enlouquecer!).

Suprimir o acento da jiboia até entendo. A feiura, sem aquela cicatriz no u, parece menos feia. Mas a ideia de não ter mais nenhuma “idéia”, meu VOLP do céu, é de chorar! Ou rir, fazendo uso do velho – e oficial – kkk.

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evidência

é sempre ele
que ilumina o
outdoor da dor

ele que num piscar
[neon ou não]
faísca
afasta o fosco
ajusta o foco
filtra

ele
meu sol
meu pixel

ele bright
holofote
spot
flashlight

ele fosforescência

estrela que entra
sai de cena
deixa
todas as luzes

tesas

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o choque súbito
da onda afoita
contra a sólita
rocha aflita
:
press sinta

frente ao front
[horiz
ontem]
impeta-se
o conflito
água versus pedra

arma líquida
nem tanto tenta
que penetra
árdua espera
[dura quem dera
na queda]

branca espuma quebra
a resistência concreta
pós “hora tanta
larga e lenta”

ataque enfático
cônsono ao nosso
encontroimpacto
estroe x p l o s ã o

inquieto como gozo
e seus senãos

“hora tanta larga e lenta” ~> trecho furtado do poema noite branca, de Frederico Barbosa

em Escritoras Suicidas
ed. 31 | out/2008

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pó & cia

poesia
em si
seria
sépia
não fosse
o assédio
– cinza –
que me
cerca

carma
que me
afaga

queima
que me
apega

coma
que me
apag

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metástase

este êxtase
que me tira
a sanidade
é razoável
mentira

p o e s i a
:
meias-verdades
fraudes quase
com ênfase
nas frases
(pseudo)feitas

febre
que quando não ferve
fibrila

fabrica
o que nem sempre fui
forja o que não foi
sequer idéia

em Escritoras Suicidas
edição 22 | nov/07

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