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Posts Tagged ‘escrita’

arte íntima

este poema
desenha a boca
que ordenha
sua seiva viva

esboça a língua
que delineia – à risca –
os contornos
da escrita arisca

pinta o entremeio
das nuas entrelinhas
com – morna lisa –
textura de saliva

 

 

valéria tarelho

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[ao leitor]

 

só há uma lei
nesta página
de ninguém

aqui onde
rima reina
à rédea curta

onde razão
confunde-se
com rasura

nada além
da lei
tu[r]a

 

 

valéria tarelho

*ins_pirado no Ricardo Silvestrin

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filhos da falha

à sombra
de um lápis
deito folhas
edito versos
recicláveis

assombros
que brotam
do pavor
da árvore

valéria tarelho

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[contro]verso

há escritos avessos
que evito
expor ao espelho
nem tudo que crio
pode ser
lindo
valéria tarelho

 publicado no Livro da Tribo 2012/2013, Ed. da Tribo

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it’s too late:
minha poesia late
e mostra os dentes

rosna
avança
parte
para o ataque

vira e mexe
me acomete
um uivo de liberdade

meu lado lobo
virgínia wo(o)lf

em Escritoras Suicidas
ed.6 | maio/2006

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nasci
de um pingo [bêbado]
no i
que, trôpego, foi ao chão
e gerou ponto de exclamação
!
quem me vê assim
ereta & sóbria
equilibrista
da esquina do zelo
ignora dois pontos
:
prostituo a escrita
masturbando egos
pelos becos do verso

e bebo todas
pra esquecer os erros
que, ato contínuo, vomito
via meus dedos

[não nego que gozo
quando escrevo]

em Escritoras Suicidas
ed. 29 | ago/2008

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C’as mões

Não sei escrever sonetos.
Não consigo medir o tamanho
dos desastres que escrevo,
nem as consequências das burradas que faço.
No máximo, rabisco uns poemas caolhos,
inspirados nos meus percalços.
E a vida me dá o troco:
ora em aplausos,
ora em socos.

in Livro da Tribo 2005

publ. no jornal O Casulo, nº 10, dez/08

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