todos os textos deste espaço são © valéria tarelho.
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["o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu"
Herbert Vianna]
a Adriana Karnal
quanto mais penso
mais propensa fico
a cometer lapsos
então disperso
dispenso o caso pensado
preencho o poema
com passos errados
traçados em labirinto
sobre linha tirolesa
um porre de letras bêbadas
invadindo o espaço
rindo alto
do abismo
ao salto
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eu kahlo
ele callas
nós casados
[nem falo
mais nada]
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rosa não
nem pássaro
mas ousei jardins
alcei voos
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que o novo rompa
a casca do óbvio
e o poema gema às claras
o pio arcaico que canta de galo
não me leva no bico
valéria tarelho
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outono
tão eu
: nos neut
ros tons, no
morn
o das mão
s nos timbres secos.
eu, outono: do desprendimento forçado, ao arrefecimento. lento.
outono sou eu, sorrindo amarelo-feno. eu, atônita, somando os entes que fluíram ao vento.
eu, april leaf, que, não demora, se queda. forra o chão onde pisam os de estação menos sépia: humanos? autômatos?
eu, ‘outânatos’. âmbar à tona do olho. alma ômega.
alone. como um poema de cummings.
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vem menino
despindo alegorias
para que te vejas
nítido
e ainda assim
vestindo
transparências
me surpreenda
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te pressinto perto
e quero distante
um toque de peles
um nocaute
um gemido entranhado
um siso extraído
um riso ‘coolgato’
um fiapo
retirado dos caninos
pecado a
penas pensado
entre quatro paredes
o arrepio
e o arrependimento
moram lado a lado
publ. no Poema Dia
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motéis lembram
crematórios
onde corpos
pegam fogo
e logo após
viram pó
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